segunda-feira, novembro 01, 2004

Um coração de aço

"Sou um homem forte
e seguro,
Os meus medos?
posso contá-los
nos poros dos dedos"
[Ramon Santos]


Cada vez mais me convenço de que há corações partidos em excesso nesse mundo. Quantos sonhos frustrados uma única pessoa é capaz de abrigar dentro de si? Quantas decepções um mesmo ser suporta? Quantos erros uma vida inteira contabiliza? Quanta saudade pode carregar uma única existência? Perguntas que provavelmente nunca terão resposta...

Em geral, tento não pensar nisso tantas vezes quanto a idéia me vem à cabeça porque me assusta que alguém tão jovem quanto eu carregue dentro de si tantos sentimentos reprimidos, tantos "se", tanto medo de deixar que tudo escoe antes que meus dedos desajeitados sintam pelo menos uma vez a textura da realidade que supera as expectativas.

Será que eu nasci sem esse software em especial, aquele que mostra como ser feliz sem pensar no amanhã, sem colocar obstáculos para a plenitude, sem ficar procurando falhas, pontos fracos, erros de percurso? Já me acostumei, cedo demais até, a racionalizar minhas expectativas para não me decepcionar, a ficar com o pé atrás sempre em qualquer situação. É bom demais pra ser verdade? Suspeite!

Num Universo de corações despedaçados (e sempre há corações despedaçados em excesso. como já comentei) queria eu que o meu fosse de aço, reconstruído cuidadosamente dos pedaços que restaram. Queria que fosse invulnerável e insensível, pleno apenas dos meus desejos egoístas e imediatos não restando lugar para os anseios nem para as frustrações nem para os sonhos impossíveis. E então eu acordaria cedo, embutida da coragem que antes sempre me faltou, e percorreria o mundo levada pelo vento do acaso e deixaria para trás tudo que me prende a este chão de caminhos conhecidos e realidade previsível.

Como é fácil escrever...

Difícil mesmo é viver!

2 Ecos:

At 10:33 AM, Blogger JP disse...

Mas infelizmente o que não vale é se fechar (logo eu falando isso, né? o cara das muralhas) só faz é piorar a situação. Acho que mais uma coisa que precisamos ter um dia para poder dizer que estamos no caminho do amadurecimento: coração partido, dor de cotovelo.
Quanto ao software eu acho que nasci sem ele também...

 
At 8:34 AM, Anonymous Anônimo disse...

O mais importante é não se fechar em sua concha perante as decepções e frustrações já ocorridas. Nos preocupamos tanto em ficarmos na defensiva que as vezes deixamos de aproveitar oportunidades que estão sempre batendo em nossas portas...nem sequer damos conta do que está havendo e elas passam desapercebidas. Estou me policiando com relação a isso e hj percebo que a vida é doce, já a nossa boca é muito amarga!

 

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