quinta-feira, dezembro 16, 2004

Ah... a poesia...

A noite agora não deseja vir
para que tu não venhas
nem eu possa ir.

Mas eu irei,
ainda que me queime a fronte um sol de escorpiões.
Mas tu virás
com a língua queimada pela chuva de sal.

O dia agora não deseja vir
para que tu não venhas
nem eu possa ir.

Mas eu irei
entregando aos sapos o mordido cravo meu.
Mas tu virás
pelos turvos esgotos da escuridão.

Nem a noite nem o dia querem vir
para que por ti eu morra
e tu morras por mim.

[Federico García Lorca]

Muitos conhecem esse poema (em espanhol, principalmente, porque é como eu mais gosto dele) já que o enviei por mail no mínimo uma vez... A poesia em espanhol tem uma melodia, uma beleza, um fatalismo, uma sensualidade sutil... às vezes esqueço de que decidi estudar essa língua só para entender García Lorca e Neruda no original... quem sabe ainda não chego lá.

1 Ecos:

At 7:32 AM, Blogger JP disse...

Adoro os poemas de Pablo Neruda. Lá em casa tenho o Canto Geral dele.... tem uns poemas altamente politizados tb...
Beijos

 

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