Aposto que você assistiu ao Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Antes considerava esse filme excelente, mas atualmente o acho simplesmente fantástico! Suponho que alguns significados penetrem melhor em nossas mentes depois de algumas experiências de vida ou, pelo menos, de alguma reflexão mais profunda sobre o tema.
Esquecer... Quantas vezes não desejamos isso todos os dias? Suprimir as vergonhas, as dores, aquilo que nos faz remoer e remoer um mesmo problema infinitamente sem nos levar a lugar algum? Esquecer as pessoas nos magoaram, as que nos feriram, as que amamos sem esperança, as que nos humilharam e as que nos fizeram chorar... Pena que toda dádiva traga consigo um preço imperdoável embutido.
Aprender a viver sem alguém implica “permitir” que aquela pessoa também conceba uma vida sem você e nem sempre estamos preparados para isso. Nosso egoísmo latente se rebela contra essa simples possibilidade, claro, porque acima de tudo queremos ser lembrados, queremos ser indeléveis na memória de quem nos marca. No jogo da vida algumas apostas são altas demais, admito. Abandonar é uma premissa básica para quem quer ser abandonado. Mate o amor dentro do outro e você estará livre para sempre. Deixe para trás e você também será deixado para trás. Porém reflita se é essa a liberdade que você deseja. O tempo apaga tanta coisa... Apaga amor, apaga ódio e apaga deixando não mais que uma memória esmaecida. Resta-nos ter a paciência necessária para esperar e a resignação para aceitar os despojos de guerra com dignidade, uma vez que não temos acesso à tal máquina do esquecimento.
E mesmo com tudo isso em mente, ainda assim prefiro lembrar. Dói um pouco, claro, mas tudo na vida dói. Nascer dói, morrer dói, amar dói, não ser amado dói, até sexo é dor e prazer, não é? A verdade é que sentir é doloroso, mas essa é uma das maiores recompensas do exercício de estarmos neste planeta. Uma vida, uma chance e todas as possibilidades! Porque escolher esquecer? Acho que prefiro aprender e tocar a vida em frente mesmo que de vez em quando a saudade pareça monstruosa, mesmo que a felicidade nem sempre esteja à mão, mesmo que menos de um segundo tenha sido tudo o que experimentei da certeza de que estar aqui vale a pena.
Bom, é mais ou menos nisso que eu acredito... hoje! Amanhã é outro dia.
E você?
O que você tem esquecido de lembrar?
Sua vez de se desvendar (é... auto-conhecimento também dói!).
Beijos.
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