quarta-feira, outubro 05, 2005

Casos Pitorescos: Episódio I - Da pintura, do papai e de outras coisas

Mal consigo lembrar quando tinha sido a última vez que tínhamos pintado a casa. Tava de dar pena, coitada... Mas esse ano papai se animou e decidiu fazer essa caridade. Acho que fez isso só porque a gente parou de pedir, óbvio.

Meu pai é um ser estranho. Não necessariamente no mau sentido da coisa. Só diferente mesmo. Meio do contra às vezes. Se você insiste, ele nega. Se você precisa rápido, ele desacelera. Se o erro foi pequeno, ele berra. Se foi grande, ele mal comenta. Deu pra entender? Eu espero que não, porque convivo com ele há mais de 24 anos e ainda não saquei a lógica direito. Talvez porque não haja lógica, afinal.

Certo, então decidiu-se pintar a casa. Vamos escolher as cores!!!! Ou não. Quem escolhe esse detalhe insignificante é o cara que não escolhe nem as próprias cuecas: ELE! O papai. E acredite em mim, ele tem gostos estranhos também no que se refere a tintas para fachadas de casas. Digamos que leva-se um tempo para se acostumar com as cores e que fica muito mais fácil localizar minha casa (até no escuro!) depois da pintura.

Fácil tomar a decisão, difícil é suportar a obra em si. Começam os pintores no meio da casa, a poeira, a bagunça, as refeições de improviso... tudo para deixar qualquer pessoa relativamente sã louca. Se não fosse a mamãe que é uma leoa nessa coisa de limpeza e deixava a casa semi-habitável (ou pelo menos dormível) à noite, não sei o que teria sido de nós. Sem contar com a falta de privacidade intrínseca a todo o processo.

Eis um exemplo: Fortaleza, ... de setembro de 2005, 6:00h. Levantei de camisola. Só levantei mesmo, sem acordar. Tropecei em direção à cozinha cega de sono como em quase todos os dias (na verdade tropecei um pouco mais que o habitual porque por algum motivo, que a minha consciência embotada ainda não conseguia compreender àquela hora, os móveis estavam em novos lugares) e abri a geladeira. PAF! (despertar instantâneo e confuso nesse momento). "Ai, meu Deus! Desculpa, seu Luís, não queria derrubar o senhor da escada! O senhor tá bem???" (pausa para a constatação vergonhosa de que eu estava de camisola na frente do pintor) "Ehhh, olha desculpaí, viu? Licença! Eu... tchau" (fuga rápida pela direita, não sem antes tropeçar na cadeira mais próxima e machucar o dedinho do pé, claro!). Mais um causo de pintor.

PS.: A vergonha é o melhor anestésico que existe!

O fato é que dentre mortos e feridos, salvaram-se todos. Mesmo que não tenha me restado muito orgulho, ficaram as paredes como que novas, adoráveis e a fachada cheguei de sempre. Não se pode ter tudo, não é? ;)