quarta-feira, março 01, 2006

As in Nature

E lá estávamos eu e papai, em plena terça-feira gorda de carnaval, num clássico programa-de-índio nosso: assistindo a um desses documentários sobre animais selvagens (os preferidos de meu amado progenitor). O tema? Rituais de acasalamento e afins. Não vou negar que nos divertimos horrores. Esses bichos têm umas sacadas geniais de fazer inveja a qualquer ser humano espertalhão. A gente se espanta ao ver como na natureza (também) nada se cria, tudo se copia.

Vejam essa ave marinha de pata azul cujo nome não recordo agora. Monogâmica sim, mas nem tanto! E eis que a fêmea tem seu parceiro fixo, aquele que a ajuda a criar a prole e manter a mesa farta, aquele para quem ela se volta nos momentos difíceis e o mesmo em quem ela passa chifre descaradamente enquanto o boboca rala pescando para alimentar os filhos "sabe-se lá de quem". Seria ele um mané? Segundo o narrador do documentário: NÃO. Sendo ele aquele que mais comparece com a patroa (apesar dos vários amantes ela não foge das obrigações maritais), são boas suas chances de perpretar seus genes sem negar à sua companheira de toda uma existência a chance de diversificar o pool genético das crias, tornando-as menos vulneráveis às agressões seletivas do meio. A traição científica e instintivamente justificada. Valeu, Darwin e Dona Mãe Natureza!

E como se não bastasse, em outro extremo está uma tal de uma borboleta australiana macho que para se garantir à prova de traição praticamente ataca uma fêmea que mal saiu da pulpa, copula com a pobre que nem voar ainda voou e depois a "lacra" com uma versão reino animal de cinto de castidade para ficar certo de que ela só tenha os filhotes dele e pronto. Não é a toa que existem tantos exemplos de fêmeas de insetos que matam o macho ainda durante a cópula. Sabe-se lá a que as fêmeas das gerações anteriores já tiveram que se sujeitar para gerar tamanha ira assassina... Não vamos condenar a viúva-negra sem conhecer antes os fatos.

Mas o mais curioso mesmo é ver como, no geral, é sempre uma questão entre o desespero do macho por sexo e o calculismo da fêmea pelo parceiro "certo". Também soou familiar pra você? O macho faz o que for preciso: briga, dança, enfeita ninho, nada, escala, rasteja, se disfarça... Ela olha, inspeciona, dá uma comparada com a concorrência, pensa duas vezes se ele vale a pena mesmo e só depois dá o braço a torcer, tendo sempre em mente que pode aparecer alguém melhor por aí pra desbancar o garotão da vez, um macho mais forte e mais capaz a quem ela se entregará ansiosamente, sem complexo de culpa algum. Tudo pela perpetuação da espécie (?). Bom, isso eu não sei dizer ao certo, mas que muita fêmea humana segue um raciocínio semelhante, segue.

Ao que aparenta, os animais é que sabem viver. Cada um aceita seu destino e estamos conversados, sem maiores dramas de consciência e sem desespero. A gente é que complica mesmo, só pode. Só sei que na próxima encarnação quero ser um leão e viver de savanas e água fresca. Mais moleza que isso, só dois disso.

Deixo a reflexão com vocês, crianças!

Beijos.


7 Ecos:

At 9:53 AM, Anonymous Anônimo disse...

excelente texto (pra variar,né). Estava com saudades dos seus belíssimos textos. Não vá passar outra eternidade p/postar outro,ok?(rsrsrs)Um grande beijo e tenha um ótimo fds, Orlane

 
At 1:02 PM, Anonymous Anônimo disse...

Genial, Sassa! Adorei!
Um beijo.

 
At 11:17 PM, Anonymous Anônimo disse...

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At 11:20 PM, Anonymous Anônimo disse...

Caríssima Sassa,

Fiquei muito feliz por saber que a sua escrita era tão legal, sincera e descontraída! Faz tempo que a gente não se fala, e lê-la foi um modo original de matar as saudades! Convido você também a vasculhar um pouco meu blog, com textos e amenidades...

Um grande beijo!

Um grande beijo!

 
At 11:22 PM, Anonymous Anônimo disse...

Para não esquecer...

Blog MaranaTha
www.maranatha.myblog.com.br

Paz!

 
At 9:51 AM, Blogger beto disse...

Ei, adorei o texto, e concordo com você, bom é não ter pensamentos existenciais, bom é ficar só caçando e bebendo água.
beijo.
ah, é o Will Hunting viu?;)

 
At 3:24 PM, Blogger mariella fassanaro. ou mari. ou ella. disse...

fantástico, genial, brilhante.
[e, talvez, ainda não seja suficiente!]

beijo enorme, sassa linda.
saudade de ti. muita!

 

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