segunda-feira, julho 10, 2006

Dói?

Mesmo tendo em mente que as impressões esmaecem com o tempo, fica na minha memória como sendo uma das primeiras lições aprendidas nesses anos acadêmicos de Medicina a definição de dor. É uma sensação subjetiva. Consideram-se organismos diferentes, percepções individuais, respostas distintas e extremamente variáveis, ainda que o estímulo nocivo seja basicamente idêntico.

A traição é assim, não deixa de ser uma dor. E cada um a encara da maneira que pode, ou quer. Uns sofrem, choram, descabelam-se e fazem bobagem. Outros são frios, calculistas, racionais e planejam vingança. Tem também quem finge, abstrai, sublima e segue com a farsa. As possibilidades são infinitas.

Eu? Eu perco o prumo, fico desorientada, tento entender, procuro culpas, giro em torno de tantos pontos e não chego a conclusão nenhuma. No fim só bate uma tristeza que me alcança os ossos, uma vontade de fingir que não aconteceu, de me esconder num casulo anestésico. Até que me sinto dona de mim outra vez, levanto, com passos menos firmes do que gostaria, e vou embora. Mesmo morrendo de vontade de voltar. E se há amor, há sempre vontade de voltar.

Por que se trai? Porque somos fracos em demasia. Não me venha dizer que nunca aconteceu com você. As tentações estão todas aí, ao nosso redor. Hoje quem sofre pode ser a causa da dor em outra pessoa. A gente se perde.

É isso que eu sei: a gente se perde...