Pra ser como a Bela da história
Minha irmã gosta muito de uma frase que diz algo como "o que é errado continua sendo errado mesmo que todos o façam e o que é certo é certo, mesmo que ninguém o faça". Nada mais acertado. Nós costumamos relativizar tudo, colocar panos quentes, dourar a pílula. Ninguém se aceita mau. Mas nós o somos. Bom, não vou colocar você, vítima inocente desse blog, na reta. Melhor refazer a sentença: eu sou, mea culpa.
Esse complexo de "eu tenho que ser bom" tem raízes nos nossos contos de fadas maniqueístas. O bom que não importando a provação é sempre bom. O ruim que morre ruim. E tirando a Malhação, em que a regeneração do caráter é via de regra, bastando-se apenas esperar a próxima temporada, a vida real não prega o perdão e a absolvição dos pecados, muito menos se aceita o arrependimento. Espera-se mais usualmente o tão desejado revés que vai ensinar ao pecador da forma mais dolorosa possível.
Eu erro. Todos os dias. Mais de uma vez por dia até. E não é sempre que a consciência pesa. Também não é sempre que a consciência deixa de pesar. É duro causar dor em outra pessoa (é, eu também sou boa!) e saber que um ato seu tornou a vida de alguém num temporário inferno. Você sabe, você também já esteve lá, já chorou. E por já ter estado lá, sabe que pedir desculpas não resolve nada, não altera o curso da história, não faz tudo ficar certo de repente.
Fato é que dizem por aí que todos seremos julgados no fim. Eu discordo. Somos julgados a todo momento. Pelas gentes, pela família, por Deus (se você acredita nele). Feliz aquele que sobrevive ao seu próprio julgamento. Eu ainda não tive essa sorte... Maldito maniqueísmo! E acredite ou não, isso me faz sofrer, principalmente quando não tem ninguém olhando. Não há como fugir nem mesmo esconder. O filósofo disse a verdade: "Ninguém se cura de si mesmo". Ninguém.
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