terça-feira, setembro 26, 2006

Virgindade em tempos de cólera

Outro dia tive uma longa, muito longa, discussão algo filosófica acerca dos valores arcaicos que nós guardamos, sem nem mesmo questionar ou saber o porquê. Temas clássicos, como de praxe. Amor, traição, inocência, sexo... coisas do gênero e afins. No entanto, pensava agora em algo que não discutimos e que ainda me deixa cismada: como pode haver, nesse século, mulheres que ainda queiram casar virgens?

Entendam, não é uma crítica mordaz. Respeito os valores de cada um, acho. Até porque são eles os grandes responsáveis por sermos quem somos. Sério. Mas respeitar definitivamente não é entender. Raciocinem comigo. É fato que as virgens de hoje não se comparam às de outrora. Ninguém chega ao leito nupcial inocente. Não mais. Pelo menos uma noção hum... teórica (se não prática!) do assunto todas têm. Aos quatro cantos se fala de sexo, prazer, orgasmos múltiplos e não sei o que mais lá. E isso certamente aumenta as expectativas vigentes por aí. Ao invés de uma noiva assustada de olhos esbugalhados acuada no canto da cama sem idéia alguma do que vai acontecer, as virgens senhouras do atual momento histórico vão ao leito nupcial com expectativas elevadas aliadas a sua melhor langerie e ao perfume cuidadosamente escolhido para a grande ocasião. E deixem-me dizer que as tais expectativas elevadas são um desastre em qualquer âmbito em que estejam inseridas. QUALQUER UM!

Pergunte à grande maioria das mulheres sobre a primeira vez. Geralmente não é lá essas coisas. Quando há amor pode ser um pouco melhor porque o sentimento obviamente deixa tudo mais bonito e romântico e apaga um pouco o desconforto intrínseco ao processo. Lembro que certa vez ouvi Fernanda Young chegar ao cúmulo de dizer que se devia perder a virgindade com um ilustre desconhecido pra não haver frustração sentimental caso não seja (e muito provavelmente não será, segundo ela) bom. Não cheguemos a tanto. Sem extremismos.

O fato é que deve-se considerar um ou dois aspectos. O importante não é só a primeira vez, e sim a continuidade do processo. E se o seu cônjuge lhe desagradar na cama? E se ele tiver uma perversão qualquer que horrorize você? E aí? Casou, cara! Em tese, não se pode voltar atrás. Tá bom, tá bom! Vai que a nossa virgem inexperiente é capaz achar que tudo vai melhorar, que é só porque ela ainda não tem o jeito... É cabível, claro, muito cabível. Só que pode não mudar. E aí? Vai acabar o casamento por causa de sexo? Eu acho válido, mas será que a nossa virgem vai concluir o mesmo? Porque essa mulher, não esqueçam, casou com o príncipe encantado de seus sonhos e apagar essa imagem não é fácil pra ninguém. Aí vai ser aquele desastre. Visualizem. “O marido chega em casa assobiando, animado. Nossa ex-virgem treme. Não, essa não! Queima o jantar. Ele não se importa, e ainda dá um tapinha amigável na bochecha dela dizendo que até que deu pra comer depois de tirar a crosta de carvão do frango. Ela gela. Ó céus! O cérebro trabalha fervorosamente. Ele parte pro ataque, ela se esquiva. Tempo pra pensar. Ele é tenaz, persiste. Ela desiste, entrega os pontos. Vai pra cama feito uma mártir. Analisa cada aspecto como se nem estivesse acontecendo com ela: esse beijo foi bom, essa mão poderia ter ido mais pra direita, isso de novo nãaao! Droga. Mas já acabou. Graças a Deus! Ele a abraça. Ela relaxa. Ainda o ama. Dá pra agüentar isso tudo pra ter um abraço assim toda noite, claro que dá. É o sentimento que importa.” Até quando? Pode mudar com o tempo, com o diálogo, com a prática, mas pode não se alterar nunca.

Só sei que quando eu casar quero entrar em campo com o time totalmente entrosado e, de antemão, sabidamente vencedor (Putz, que comparação mais futebolística. Parece até que meu alvo aqui é o público masculino! hahahaha). Quero uma lua-de-mel romântica cheia de olhares apaixonados, mãos dadas e beijos intermináveis, onde sexo não seja um foco principal, só um coadjuvante mais que bem vindo. Sem surpresas desagradáveis que possam estragar tudo. Virgindade é uma coisa bonita, claro, mas eu não pagaria pra ver não. Casamento é um negócio sério demais pra arriscar. Demais.


PS.: Como é que faz pra agüentar esperar, hein? Alguém me conta esse segredo. Deve ser sublimação, ou algo do gênero. Ou então casar com 12 anos. Pronto, desabafei! Fecha aí o parêntese.

1 Ecos:

At 12:39 PM, Blogger Orlane Falcão disse...

Concordo em gênero, número e grau com vc minha cara Sassá. Agora respondendo sua pergunta, acho que não dá p/esperar...Um amiga sempre diz que prefere ir com os errados até achar o certo. beijo grande.

 

Postar um comentário

<< Home