segunda-feira, janeiro 31, 2005


"Medo de ir embora
Vontade de não ficar"
(Quinteto Agreste)
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sábado, janeiro 29, 2005

Que diabos é o amor, afinal?

“Mas a dúvida é o preço da pureza

E é inútil ter certeza”

(Humberto Gessinger)

Eu te amo – ela disse, com os olhos semicerrados e os lábios ainda úmidos.

Mas logo depois pensou melhor. Amava mesmo? Talvez não amasse. Talvez tivesse pronunciado aquelas três palavrinhas tão completamente traiçoeiras que desencadeiam uma série de compromissos e sentimentos confusos pelo simples fato de querer ardentemente ser amada por outra pessoa. Como saber exatamente se era amor? Não haviam lhe ensinado em lugar algum, nunca lhe haviam dado uma resposta concreta sobre o assunto quando tinha perguntado, não haviam exibido na TV nenhum programa realmente conclusivo sobre o tema, não havia especialistas sérios com uma tese confiável na ponta da língua. Então não tinha explicação... E ela continuava não sabendo se mentira. Em alguns momentos achava que não. E se, nesses mesmos momentos, a dúvida surgia, ela tratava logo de suprimi-la indignada por uma possibilidade outra ter cruzado seu instante de certeza. Ela queria essa certeza, mas certezas não nascem em árvores atualmente... Moisés havia recebido os mandamentos magicamente, Jesus tinha tido revelações no deserto e ela, nada! Só sabia que tinha falado e agora especulava se deveria realmente ter dito. Porque o amor apavorava mesmo, até os mais destemidos, apesar de nem mesmo os destemidos saberem o que é amor. É como medo do escuro, ou de bicho-papão, ou de mula-sem-cabeça. Muita gente jura que viu e os outros temem por tabela, com medo do desconhecido. E ela ali, pensando nas possibilidades. Gostava de estar com ele, claro. Gostava de tocá-lo, gostava do jeito como seus olhos se encontravam, gostava de como pareciam se entender sem palavras, gostava de pensar nele, gostava dos sorrisos, das caretas, seria capaz de virar a noite ouvindo suas idéias... Mas, amor? Não seria um termo muito forte? Poderia ter dito, por exemplo, que o adorava. Seria tão menos comprometedor... Manteria tudo leve e descontraído. Mas ela fizera o impensável e não podia voltar atrás... Se bem que poderia se fazer de louca, dizer que mudara de idéia ou sugerir, no meio de uma gargalhada, que fizera uma piada para descobrir-lhe a reação. Seria covarde, mas lhe daria tempo para pensar melhor longe dos olhos dele que a espiavam como se tentassem desvendar um enigma. Desses mesmos olhos que agora se suavizavam, dos lábios que agora se distendiam num sorriso e pronunciavam:

– Também te amo...

Quem precisava de certezas, afinal?

Amava sim.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Desiderata

É de se esperar que depois de um tempo sejamos capazes de perceber quando um desastre iminente se aproxima... Claro que não é aquela coisa de cão perdigueiro que fareja coisas no ar, mas deveria chegar muito perto disso. Esse conceito se aplica, por exemplo, a erros recorrentes. Você sabe que vai dar errado, até porque já deu errado outras vezes, mas fica naquela de “dessa vez vai ser diferente”. Só que não é. E aí se dá a desgraça. Sorte que quando isso acontece de novo você se reergue mais rápido e a se recupera do baque sem tanto alarde quanto da última vez.

Não existe uma pessoa no Universo inteiro que nos engane melhor que nós mesmos. É um fato. Acreditamos exatamente naquilo que queremos acreditar, transformamos discursos corriqueiros no que desejamos ouvir, interpretamos entrelinhas que não existem a nosso bel prazer e fazemos o diabo para acelerar ainda mais a chegada do tal do desastre iminente. Somos, infelizmente, humanos em demasia... Eu sou um bom exemplo disso e imagino que você que está perdendo seu tempo nessas linhas toscas também possa ser. Não tem quem escape, embora alguns sejam mais destrutivos que outros, obviamente. Gosto de pensar que pelo menos nesse grupo em especial não me enquadro, definitivamente. Autoflagelação, autocomiseração e autodestruição não se encaixam no meu dicionário de mulher-não-tão-madura-assim-mas-determinada-que-procura-seu-caminho-nesse-mundo-louco... Erro sim, mas paro de aplicar as chicotadas psicológicas tão logo consiga, enxugo as porcarias das lágrimas e vou em frente, com direito, claro, a algumas recaídas esporádicas progressivamente mais espaçadas e cada vez mais rápidas. A vida é muita curta pra tanta dor e desespero desnecessários e descobri que vim ao planeta Terra para viver essa vida. Sobreviver apenas não faz mais parte do que eu considero aceitável.

Não quero mais acordar e olhar o dia como se não fosse nada, como se não houvesse um milagre embutido em tudo. Não quero me contentar com meio-sorrisos e sentimentos neutros. Não quero bom-dias sem paixão implícita e sem expectativa no ar. Não quero esperar mais um dia, mais uma vida. Não quero achar o sofrimento natural e a dor uma experiência a ser vivida e revivida repetidamente. Não quero me contentar com migalhas sem gosto e cheiro de mentira embolorada. Não quero um trabalho chato que me encha de dinheiro suficiente para que eu possa assistir aos outros viverem do meu camarote VIP, sem participar. Não quero experimentar a “solidão que dói” por mais tempo que o estritamente necessário. Não quero deixar a infelicidade fazer morada em mim. Não quero saudades que nunca acabam nem sensação de inadequação. Não quero satisfação em doses homeopáticas. Não quero a mediocridade de não querer nada.

Quero novos erros. Os meus já estão gastos de tanto uso e esses e, como disse no começo, já os reconheço de longa data e prevejo seus desfechos. Quero também alguns acertos, só para ter a impressão, de vez em quando, de que estou no caminho certo ou de que é hora de tentar um outro caminho. Quero quente. Quero frio. Só não quero morno, morto por dentro. É mais ou menos isso que eu desejo... Desiderata.

terça-feira, janeiro 18, 2005


Posted by Hello

domingo, janeiro 16, 2005

Se ninguém pudesse te ver...

Tem dias que você é chato, mas não tem problema porque todo mundo é um pouco de vez em quando. Tem dias que você chora, mas não se sente original porque todo mundo chora, alguns talvez até mais que você. Tem dias que você ama e tem dias que você deseja jamais ter amado, tem dias que você coloca o óculos com lentes cor de rosa e tem dias que você os esquece em casa praticamente de propósito, tem dias que os passarinhos cantam e as folhas dançam ao vento e tem dias que tudo parece parado, até seu coração. Mas não importando o dia, chorando, andando, sorrindo, cantando, falando, respirando, somos só isso mesmo. Um amontoado de sentimentos e pensamentos confusos e lúcidos, quase na mesma medida. E talvez a mágica da felicidade esteja em viver como se ninguém estivesse olhando...

Quatro vezes você
[Capital Inicial]

Rafaela tá trancada há dois dias no banheiro
Enquanto a sua mãe
Toma prozac, enche a cara
E dorme o dia inteiro
Parece muito mas podia ser

Carolina pinta as unhas roídas de vermelho
Em vez de estudar
Fica fazendo poses
Nua no espelho
Parece estranho mas podia ser

O que você faz quando
Ninguém te vê fazendo
O que você queria fazer
Se ninguém pudesse te ver

Gabriel e a namorada se divertem no escuro
E o seu pai acha tudo que ele faz
Errado e sem futuro
É complicado mas podia ser

Mariana gosta de beijar outras meninas
De vez em quando beijar meninos
Só pra não cair numa rotina
É diferente mas podia ser

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Um entardecer com poesia...

(...)
Amor, cuando te digan
que te olvidé, y aun cuando
sea yo quien lo dice,
cuando yo te lo diga,
no me creas,
quién y cómo podrían
cortarte de mi pecho
y quién recibiría
mi sangre
cuando hacia ti me fuera desangrando?

[Neruda]


Depois de ler essa frase percebi que minha borracha está desproporcionalmente menor em relação ao meu lápis! Tá na hora de virar o jogo! Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Poesia roubada de outro blog :)

Você deixou um cheiro em mim
Você deixou um gosto em mim
Você deixou seu olhar em mim
E o seu sorriso também

Você deixou algo de sua essência em mim,
Uma essência que transformou tudo
O que era cinza virou luar
O que era negro virou estrela

O que eram lágrimas virou chuva
O que era sombrio virou luz
O que era morno virou desejo
O que era nada virou nós.

[Mauricio R. Soares]


A frase já diz tudo... É isso aí :) Posted by Hello

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Quem é mais feliz?

São poucos os professores, principalmente na faculdade de Medicina, que levam o aluno a realmente refletir sobre a vida e não apenas se limitam a mostrarem-se maravilhosos e espetaculares a nossos olhos. Tive um assim ainda no primeiro semestre e até hoje lembro muito bem de como ele nos tratava (realmente de igual para igual) e de como respeitava nossas opiniões, das poesias que nos trazia, das perguntas que nos faziam refletir sobre a vida.

Certa vez nos perguntou o que era melhor, amar ou ser amado. Numa turma de dez alunos caiu um silêncio sepulcral. O que era melhor? Como ninguém se propôs a responder, ele deu sua própria opinião com a qual concordei plenamente na época (e ainda concordo). Ele nos disse que preferia amar, já que apenas sendo amado, sem reciprocidade, nada se modificaria na sua vida, não cresceria, não aprenderia nada, apenas seria amado...

É isso que esperamos a vida toda. Amor. Mas quando ele apenas vem de outra pessoa e não encontra eco dentro de nós mesmos é angustiante, sufoca-nos, deixa-nos doentes e com a sensação de que estamos enganando alguém inocente. Claro que nem todos se sentem assim... mas eu me sinto e sei que muita gente também sente. Porque é difícil saber até que ponto somos responsáveis pelos sentimentos alheios.

Mas mesmo assim amem! E deixem de amar! E voltem a amar! De que vale a vida sem isso? ;) Antes amar demais a não amar nada... Um dia dá certo... Ah! E não esqueçam de SE amar! Sem esse amor em especial não somos capazes de amar nada nem ninguém...

Coração
[Chico Pessoa]

Coração, para que se apaixonou
Por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Eu vou fazer promessa
Para nunca mais amar
Alguém que só quis me ver sofrer
Alguém que só quis me ver chorar

Preciso sair dessa
Dessa de se apaixonar
Por quem só quer me fazer sofrer
Por quem só quer me fazer chorar

É tão ruim quando alguém machuca a gente
O coração fica doente
Sem jeito até pra conversar

Dói demais,
Que só quem ama sabe, sente
O que se passa em nossa mente
Na hora de deixar pra trás

Nunca mais eu vou provar do teu carinho
Nunca mais eu vou poder te abraçar
Ou será que vou viver melhor sozinho
E se for, mas fácil pra lhe perdoar

O amor, (o amor...) às vezes só confunde a gente
Não sei, (não sei...) com você pode ser diferente

terça-feira, janeiro 11, 2005

Can´t get enough of you baby

Tem músicas que elevam o astral de um ser humano!!! Essa é uma delas. Para um dia alto astral. Procurem ser felizes hoje porque é exatamente o que eu vou tentar fazer. Nada de tristeza, nada de maus pensamentos. Papoquem-se os mesquinhos, os fofoqueiros, os chatos, os invejosos, os babões, os maus, os incapazes de um gesto de amor!!! Nada de amar a humanidade toda hoje, só vou gastar bons sentimentos com quem merece! Ieeiiiiiiiiii! hahahahaha

Can´t get enough of you baby
[Smashmouth]

I can't get enough of you baby
I can't get enough of you baby
Yes it's true
Baby yes it's true
Whenever we kiss I get to feeling like this
I get to wishing that there were two of you
My heart cries out "more baby"
It feels so nice I want your arms to wrap around me twice

I can't get enough of you baby
I can't get enough of you baby
Right around
Baby right around

When you had to go I hated the thought
I only wished the night was twice as long
My heart cries out "more baby"
I love you so much I wish that there was more of you to touch

I can't get enough of you baby
Can't get enough of you baby
I can't get enough of you baby yeah
Whenever we kiss I get to feeling like this
I get to wishing that there were two of you
My heart cries out "more baby"
I love you so much I wish that there was more of you to touch

I can't get enough of you baby
Can't get enough of you baby




Pra lembrar do meu pobre cordão que não está mais entre nós... olha, esqueci de dizer, mas papoquem-se esses ladrões também! ;) Posted by Hello

segunda-feira, janeiro 10, 2005

EL VIENTO EN LA ISLA

Dar liberdade a quem amamos não é algo simples, principalmente quando essa liberdade envolve que nós fiquemos para trás ou soframos. Não podemos prender o amor entre nossos dedos ou ele, como um fino cristal, se esfacelará mediante nossa ânsia de não perdê-lo. Não quero a mesquinhez que tem se instalado dentro de mim, essa minha súbita necessidade de aprisionar. Não quero esse peso. Vou deixar o vento soprar. Quem sabe um dia ele não se volte em minha direção...

EL VIENTO EN LA ISLA

El viento es un caballo:
óyelo cómo corre
por el mar, por el cielo.

Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos.

Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.

Escucha cómo el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.

Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.

Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.

[Pablo Neruda]

Essa obra, Los versos del Capitán, é uma história de amor contada através dos poemas de um homem igualmente apaixonado por uma mulher que o aguarda e pelo mar que o atrai incansavelmente. Fala de amor, saudade, paixão, espera e certeza. Confiram (coloquei um link aí no nome do livro).

sábado, janeiro 08, 2005

Mais um conto de fadas malfadado?

Era uma vez uma garota que vivia numa terra distante, cheia de luz, e habitava uma torre tão alta que chegava a tocar as nuvens. Há anos morava naquele lugar e sentia-se confortável porque havia sempre pessoas que a amavam a seu redor fazendo-a esquecer as dores do mundo que ela havia deixado para trás. Era um mundo temido, cheio de sentimentos que a amedrontavam. Por isso ela se refugiou na sua própria solidão e encontrou um certo tipo de felicidade naquele universo limitado. Entretanto a torre possuía janelas e, um dia, ao longe, ela avistou uma ilusão tão perfeita que parecia ser real. E essa ilusão a encantou e a fez esquecer todas as cicatrizes de seu coração ferido. Ela, antes tão medrosa, jogou para trás seus temores e desceu correndo as escadas, sem tomar cuidado com nada, sem proteger o coração. Chegou sem fôlego e encontrou à entrada da torre o fim da quimera que antes lhe parecia perfeita. Ao invés de um príncipe, haviam deixado em sua soleira uma promessa longínqua, uma saudade infinita e nada mais. Agora ela observa a escadaria sem saber o que fazer, com os olhos secos e o coração pesado. Subir seria penoso. Ficar seria doloroso. Onde havia se escondido o “e foram felizes para sempre”? Como saber em que direção dar o primeiro passo?


Hoje foi um dia estranhamente ruim. Estou me sentindo frágil e deprimida. Como se qualquer coisa me pudesse fazer chorar. Como se nada me pudesse fazer rir. Como se nada demais fosse o fim do mundo. Como se o dia fosse infinito e as horas, 24 pedaços de eternidade. Como se meu coração estivesse mergulhado em solidão, prestes a se afogar. E o mais estranho é que hoje acordei quase feliz. É... definitivamente o planeta dá muitas voltas e às vezes gira tão rápido que derruba a gente com a eficiência de uma rasteira. A escadaria parece cada vez mais atraente... Assim que eu me recompuser vou subir cada um daqueles degraus de novo, assim que a vida parecer pesar um pouco menos.

sexta-feira, janeiro 07, 2005


Essas coisas de quem não tem o que fazer... :) A gente fica de férias e acontecem esses eventos bizarros além da imaginação!!! hahahahaha Vou lançar uma campanha: SE PASSAR É PRECISO!!! Comecem a se inscrever! As vagas são limitadas! Posted by Hello

Qual seu preço?

Não acredito que Deus gaste muito do Seu tempo com pequenos problemas dos seres humanos... Em algumas questões tenho certeza de que temos autonomia completa. Mas hoje, se eu pudesse fazer um pedido, um só, pediria a Ele que cerrasse meus olhos num sono profundo essa noite e me fizesse parar de pensar só um pouquinho porque já estou cansada, muito cansada. Imploraria que em sonho escondesse meu coração numa torre incrivelmente alta, inalcançável, indelével, e o deixasse lá repousar sem sentir nada. E por isso, e apenas isso, essa noite, eu venderia minha alma...

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Avaiana de pau

Como é que pode??? Tem uns dias em que a gente tá tão besta, mas tão besta que ri de qualquer coisa. Pena que hoje não seja um desses dias pra mim... embora eu pretenda transformá-lo urgentemente! ;) Talvez eu esteja mais para protagonista do "Avaiana de Pau", ou seja, tem até graça se você procurar alguma ou se vir seus amigos no auge da embriaguez imitando os personagens (Essa avaiana de pau é coisa linda de Deus!). Dêem uma olhada:

http://www.rio.com.br/animation/avaiana.htm



E ainda tem aquela musiquinha do fim lavagem cerebral total (digo isso porque já passei horas cantando):

Avaiana de pau!
Eu amo a avaiana de pau!
Puquê?
Ensina as quiança!
Bate nas quiança!
As quiança...
apende na marra!
Ohhh! Avaiana de pau!
Se nao apendê morre!
hahahahahaha Posted by Hello

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Hoje é ontem

Talvez algumas dádivas simplesmente não sejam para algumas pessoas, talvez algumas recompensas sejam reservadas para poucos... Mas mesmo que não sejamos nós os premiados da vez, jamais desaparece a sensação de que sempre haverá um outro sorteio e que o destino pode estar pensando em escolher-nos. Não sei... As possibilidades são tantas, mas tantas, que é impossível prever. Mas ainda assim é melhor acreditar. Jamais gostei do tempo em que nada me parecia mágico. Hoje passou, já é ontem. Vou esperar o sorteio de amanhã.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

O maldito compêndio!

Nunca considerei como algo simples não esperar nada da vida e pagar pra ver no que vai dar, sem nenhuma expectativa. E se existir algum medo, deixá-lo para trás. E se houver alguma culpa, fingir que ela nunca aconteceu. Olhar para frente como um caderno em branco esperando os primeiros rabiscos sem querer que no final esses mesmos traços ingênuos se convertam numa poesia de Neruda. Não é fácil...

A verdade é que nós somos, ao invés disso, um compêndio de nós mesmos, muito bem estudado, muito bem decorado e excessivamente lido... E essa carga emocional não nos deixa! Vivemos e morremos buscando o talvez inalcançável Neruda nos nossos rascunhos de vida... Mas hoje, só hoje, estou com vontade de ser verso de criança que aprendeu a ler ontem. E se eu não conseguir... bem... mais essa falha vai para a página 3.659.927.481 dos meus alfarrábios pessoais. Como eu disse, o compêndio está sempre lá...